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ESTUDO E MONITORIZAÇÃO
DO ANDORINHÃO-DA-SERRA
Das cerca de 200 espécies de aves autóctones que se reproduzem em Portugal continental, o andorinhão-da-serra foi a última espécie a ser identificada como nidificante regular. Fácil de confundir com outras espécies de andorinhões ou até com andorinhas, pode passar facilmente despercebido a um observador menos atento, tornando a sua presença particularmente difícil de detetar.
Até há poucos anos, esta espécie era conhecida como nidificante apenas nos arquipélagos da Madeira e das Canárias. Desde dezembro de 2019, observações consistentes de andorinhões durante o inverno na cidade do Porto, juntamente com a análise de registos efetuados fora do período reprodutor, levaram Paulo Belo a iniciar uma procura sistemática pela espécie. Este trabalho conduziu à identificação do primeiro local de nidificação conhecido em território continental europeu e forneceu pistas que permitiram, nos anos seguintes, descobrir novas colónias.
Atualmente, são conhecidas colónias reprodutoras no Porto, em Lisboa e em Cascais. No total, estão identificados apenas nove locais de reprodução em Portugal continental, que deverão albergar menos de 40 casais reprodutores.
Com o objetivo de contribuir para um melhor conhecimento e conservação destas aves, o andorin tem vindo a reunir informação sobre a espécie, promover ações de conservação e apoiar o desenvolvimento de diferentes projetos de investigação.
Através de uma campanha de ciência cidadã dedicada ao registo de ninhos e colónias, foram recolhidos, ao longo dos últimos quatro anos, dados sobre a distribuição e as características dos locais de reprodução do andorinhão-da-serra, tanto no continente como no arquipélago da Madeira. Até ao momento, estão registados na campanha cerca de 50 locais de nidificação em território nacional.
O projeto esteve também na origem da primeira intervenção de restauro de um edifício em Portugal em que foram implementadas soluções de nidificação para aves integradas no próprio edifício.
Um dos poucos locais de nidificação conhecidos no Porto, situado na Rua de Sá da Bandeira, foi alvo de uma intervenção de renovação que colocava em risco a permanência da colónia. Perante esta situação, o andorin desenvolveu um conjunto de medidas de conservação, que apresentou ao proprietário da obra, tendo este prontamente assumido o compromisso de as implementar.
A intervenção foi um sucesso: a colónia foi preservada e as aves continuaram a nidificar no local nos anos seguintes. Para além da salvaguarda dos locais de nidificação, a intervenção permitiu instalar uma câmara de monitorização direcionada para um dos ninhos, que deverá possibilitar a recolha de informação relevante sobre a biologia reprodutora desta espécie.

Apus unicolor com dispositivo de seguimento remoto

Apus unicolor recolha de amostras foto Vasco Flores Cruz

Apus unicolor a entrar no ninho recuperado foto Paulo Belo

Apus unicolor com dispositivo de seguimento remoto
No Hospital de Santa Maria, onde foi identificado o primeiro local de nidificação conhecido na região de Lisboa, foi recentemente instalado um sistema de monitorização acústica para registar de forma contínua as vocalizações das aves. Este local é particularmente interessante por ser utilizado por três espécies de andorinhões que nidificam regularmente em Portugal continental: o andorinhão-preto, o andorinhão-pálido e o andorinhão-da-serra. A monitorização pretende compreender melhor a fenologia e os padrões de utilização dos locais de reprodução, nomeadamente quando as aves começam a ocupar os ninhos, como varia a sua atividade ao longo da época reprodutora e quando deixam de utilizar a colónia. Este trabalho permitirá ainda avaliar o potencial da monitorização acústica como ferramenta não invasiva para o acompanhamento destas aves. Esta investigação, promovida no âmbito do andorin, envolve o investigador Bruno Herlander Martins do CIBIO-InBIO/BIOPOLIS e os investigadores Francisco Amorim e Joana Marcelino da Nature-based Insights.
O projeto participa também numa investigação que, pela primeira vez, está a recorrer a dispositivos de seguimento com precisão GPS para estudar os movimentos destas aves. Estes dispositivos permitirão conhecer, com um nível de detalhe sem precedentes, a forma como as aves utilizam o território, incluindo as áreas que frequentam e as distâncias percorridas, contribuindo para compreender melhor a sua ecologia e orientar futuras ações de conservação.
Paralelamente, durante as sessões de captura e marcação estão a ser recolhidos dados biométricos, ainda escassos para esta espécie, bem como amostras para análises genéticas. Estas amostras poderão ajudar a esclarecer uma das principais questões levantadas pela recente descoberta da espécie no continente: qual a origem destas aves e qual a sua relação com as populações dos arquipélagos da Madeira e das Canárias. Este trabalho de investigação envolve os investigadores Luís P. da Silva da Estação Biológica de Mértola, Bruno Herlander Martins e Carlos Pacheco do CIBIO-InBIO/BIOPOLIS e o investigador Lyndon Kearsley da BlueGreen Labs.